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DECLARAÇÕES

Dunga

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Bem, eu sou um afrodescendente. E se me chamarem de negro, negão, pretinho, moreno, etc., no Brasil... Não é novidade alguma. E até mesmo em outros países. Não sou daqueles que fica corrigindo as pessoas pelo termo utilizado para se dirigir a mim. Claro que dentro do esperado, se é que me entendem.

A consciência de raça ainda está muito distante daquilo que deveria ser. A questão de o negro ter sido escravizado, tomado como raça inferior, indigno de reconhecimentos (até mesmo do religioso) e estigmatizado está inserida nas sociedades há muito. Muitos de nós (senão todos) nascemos de pais, que descendem de pais que eram filhos de colonos. Outros ainda, na mesma ordem, só que de escravos. Então, como bem colocou na nossa primeira aula presencial, o professor Bruno Konder, essa relação de “dominação e submissão” é quase que orgânica. As pessoas a produzem verbalmente ou com atitudes porque estas já estão inseridas no contexto sociocultural.

Se nas escolas ensinassem que os africanos são uma raça de negros, com várias etnias, culturas e costumes ímpares, pacíficos, donos de uma beleza “diferente” e tradições díspares das nossas e de outras e que esses (e muitos outros fatores) fizeram com que povos que se consideravam “superiores” (e também por não serem nada pacíficos e por terem a seu favor armas, vontade de dominar, necessidade de se impor perante outras “potências” da época) disseminaram a escravidão pelos continentes.

Tem muita gente que se dá bem com essa coisa de tentar defender as minorias (com projetos, etc.) e que na verdade nem sabem exatamente do que se trata. Não são e nem fazem parte dessas minorias e só querem mesmo é se dar bem. Desconhecem o que é sentir na pele os problemas de ser minoria ou ser tratado como tal.

Tem gente que pensa que se disser “afrodescendente” (termo conceituado há alguns anos para “minimizar” outras expressões) está se safando de uma ofensa e talvez até se colocando mais próxima daquela “diferença”. Será?

Já fui parado por policiais que ao se depararem com uma pessoa estudada, convicta de seus direitos, consciente de sua realidade, ficaram muito nervosos e decepcionados porque “queriam” e “tinham quase certeza” de que iriam encontrar em mim “mais um marginalzinho como tantos”.

Uma vez, numa dessas “paradas”, questionei ao tenente se “já que haviam pesquisado meu DVC, e verificado que eu não era uma pessoa do crime e nem procurada por motivo algum, continuar comigo ali, com as mãos na nuca, atraindo olhares e comentários dos transeuntes era indigno, além de parecer meio racista.” Ele se ofendeu. Disse que não era racista e que bastava eu olhar para sua equipe de policiais que veria “vários negros como eu." Quantas pessoas não se livram de uma suposta acusação racista com esse tipo de argumentação, não é mesmo?

Moro na praia. Na passagem do ano 2012 para 2013 recebi um amigo do interior. Ele é branco (só para constar). Fomos de carro até o mercado pela avenida da praia (que estava congestionada). Num determinado local deixei um homem negro dirigindo uma Range Rover entrar na minha frente. Ele acompanhou esse homem com a cabeça e falou: “Você viu o carro do cara? Deve ser traficante.”

Pois é, existem também as pessoas que veem a “negritude” naquele que está passando à frente e não a percebe naquele que está ao seu lado. kkkkk

E agora a pior de todas: Em 1994 quando ainda namorava, a minha namorada recebeu (de surpresa) a visita de sua avó portuguesa em sua casa. Eu estava lá. Ela me pediu para ficar num quartinho dos fundos porque sua avó tinha vindo para uma conversa em particular com ela. Depois, quando a senhora se foi, ela se arrependeu e contou a verdade: “Desculpe. Precisei te deixar lá porque minha avó é racista e eu ainda não falei pra ela que estou namorando um negro.”

Sabe quando a gente chama a put... de “profissional do sexo”? O velho de “terceira idade”? O cego de “deficiente visual” e o aleijado de “deficiente físico”?

Há também quem chame o namorado de “meu escravinho do coração” e o guarde num quartinho (senzala moderna) até a avó ir embora. kkkk

É chato dizer, mas eu sou um ator e trabalho em geral com a sensibilidade. Em minha opinião, a melhor cena, a que melhor expressa isso que estou expondo (não só sobre negros) é uma cena entre Taiguara e Vera Holtz em “Presença de Anita” quando ela, depois de muito assediar o jardineiro, consegue transar com ele e depois corre para o banheiro e se lava veementemente como se quisesse tirar algo muito sujo do seu corpo.

Vera Holtz e Taiguara

Quando o técnico da seleção brasileira se comparou a escravos pelo fato de “apanhar” no futebol ele realmente encontrou nessa “triste passagem da história dos negros” um motivo forte suficiente para mostrar como era (e talvez ainda seja) o futebol. Como eram castigados em campo os jogadores. Só isso. Em minha opinião ele não precisava se desculpar e sim ”explicar” o que realmente quis dizer. Só isso!

*ao clicar nos links dessa matéria, automaticamente, estão concedidos os créditos aos autores ou detentores.

 

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